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Crescimento de motos no Brasil aumenta acidentes e sobrecarrega o SUS

Motos representam 60% das internações por acidentes.

Por Direto da Redação
Foto: Divulgação / InfoMoney Motos (Tânia Rego/Agência Brasil)
Motos (Tânia Rego/Agência Brasil)

A frota de motocicletas no Brasil experimentou um crescimento expressivo, passando de cerca de 2,7 milhões em 1998 para mais de 34 milhões em 2024. Este aumento refletiu em uma elevação da participação das motos nas mortes por acidentes de trânsito, que saltou de 3% no final dos anos 1990 para quase 40% em 2023. Esses dados são apresentados em uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Além do preocupante número de mortes, o estudo intitulado “Mortalidade e Morbidade das Motocicletas e os Riscos da Implantação do Mototáxi no Brasil” revela que as motocicletas são responsáveis por aproximadamente 60% das internações decorrentes de acidentes de transporte terrestre. Tal fato é alarmante, considerando que a frota de motos representa apenas 30% do total de veículos motorizados no país. Em 2024, essas internações consumiram mais de R$ 270 milhões das despesas hospitalares públicas, sobrecarregando o Sistema Único de Saúde (SUS).

Os técnicos do Ipea destacam que os gastos do SUS com internações de acidentes envolvendo motocicletas vêm crescendo ao longo dos anos. Em 1998, o valor gasto foi de R$ 41 milhões, mas em 2024 esse número saltou para R$ 273 milhões, ajustados pelo IPCA de junho de 2025.

Planejamento financeiro

A nota do Ipea ressalta que a extinção do seguro obrigatório de danos pessoais causados por veículos automotores (DPVAT) em 2020 resultou na perda de uma importante fonte de recursos para o SUS. Antes, 45% da arrecadação do DPVAT era destinada a custear os atendimentos hospitalares decorrentes de acidentes de trânsito.

Os acidentes com motos têm gerado uma forte pressão sobre a rede hospitalar, frequentemente ocupando mais de 50% dos leitos disponíveis. Segundo o Hurt Report, 98% dos acidentes com motocicletas resultam em lesões, e 45% delas são consideradas graves. O MAIDS Report também destaca que, apesar das tecnologias de segurança, motociclistas seguem mais expostos a riscos devido ao menor tamanho e visibilidade das motos.

No Brasil, a vulnerabilidade das motos se intensifica por fatores socioeconômicos. Muitos motociclistas enfrentam condições de trabalho precárias, com prazos apertados e exposição constante ao tráfego, o que aumenta o risco de acidentes. Estudos mostram que o risco de morte de um motociclista é 20 vezes maior do que o de ocupantes de automóveis, e 71% dos acidentes com motos levam a atendimentos hospitalares.

Mototáxi

A proliferação de serviços de mototáxi é outro ponto de preocupação. Embora esses serviços tenham se expandido, principalmente em cidades de porte médio nas regiões Norte e Nordeste, a legislação que regula sua operação ainda encontra desafios em relação às exigências de segurança, conforto e acessibilidade.

O uso do celular durante a condução, prática comum e proibida por lei, é outro fator que contribui para o aumento dos acidentes. Diante desses riscos, muitos municípios enfrentam a difícil tarefa de regulamentar o serviço de mototáxi, considerando os perigos envolvidos para os usuários.

Fonte: Divulgação