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Dor na amamentação: especialista explica o que é esperado nas primeiras semanas

Por DIRETO DA REDACÃO
Foto: REPRODUÇÃO Quando procurar ajuda?
Quando procurar ajuda?


A amamentação exclusiva de bebês até seis meses avançou nos últimos anos, mas os primeiros dias após o nascimento ainda podem ser marcados por dúvidas, inseguranças, dores e outros desconfortos para muitas mulheres. Entre 2023 e 2025, unidades de saúde apoiadas pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) registraram aumento de 22% nos registros de amamentação exclusiva até os seis meses. O avanço reforça a importância do apoio à mulher durante o período, especialmente diante dos desafios que podem surgir no início da amamentação.

Sensibilidade nos mamilos, sensação de mamas cheias ou pesadas, ingurgitamento mamário e pequenas fissuras podem aparecer enquanto mãe e bebê se adaptam. Mas, segundo a fisioterapeuta especialista em Saúde da Mulher e professora da Afya Uninovafapi, Nidiany da Silva Medeiros, uma coisa é o desconforto da adaptação e outra é sofrer durante a amamentação.

“Nas primeiras semanas de amamentação, é comum a mulher passar por algumas dificuldades físicas enquanto ela e o bebê estão se adaptando ao processo. Quanto mais orientação e assistência ela tiver nesses primeiros dias, mais fácil será essa adaptação e menores tendem a ser as angústias e inseguranças”, explica Nidiany.

A especialista ressalta, no entanto, que reconhecer as dificuldades do início não significa naturalizar o sofrimento. O próprio Ministério da Saúde orienta que amamentar não deve causar dor e destaca que uma pega adequada contribui para evitar fissuras e outros traumas nos mamilos.

A dor passa a ser um sinal de alerta quando é intensa, permanece durante toda a mamada, piora com o passar dos dias ou aparece acompanhada de fissuras, sangramento, feridas, vermelhidão, calor, endurecimento da mama ou febre. Nessas situações, é importante buscar avaliação profissional para identificar a causa.

Entre os problemas que podem estar relacionados ao desconforto estão a pega inadequada, o posicionamento incorreto da mãe ou do bebê e dificuldades na sucção. Orientações do Ministério da Saúde também apontam a dor durante a amamentação como um sinal de alerta para avaliar se a pega está adequada.

“A orientação não deve ser simplesmente para que a mulher ‘aguente a dor’. Dor persistente é um sinal de que algo precisa ser avaliado e, muitas vezes, corrigido. Uma intervenção precoce pode evitar o agravamento das lesões, reduzir o sofrimento materno e contribuir para a manutenção da amamentação”, alerta a fisioterapeuta.

Quando procurar ajuda?

Um dos principais desafios para as mães nas primeiras semanas é diferenciar aquilo que faz parte do processo de adaptação de situações que precisam de atenção. Desconfortos iniciais podem acontecer, mas a persistência ou a intensidade dos sintomas não deve ser ignorada.

Além da dor, alguns sinais merecem atenção, como fissuras que não melhoram, sangramento, feridas, vermelhidão, calor ou áreas endurecidas na mama. A presença de febre também reforça a necessidade de avaliação profissional.

A orientação adequada também pode ajudar a evitar que a mulher associe dificuldades iniciais à ideia de que não é capaz de amamentar ou de que seu leite é insuficiente. Material técnico do Ministério da Saúde destaca que a pega incorreta pode provocar dor e fissuras e contribuir para que a mãe fique tensa, ansiosa e perca a confiança na própria capacidade de amamentar.

Por isso, para Nidiany, o acolhimento é parte importante desse processo. “O mais importante é transmitir à mulher que dificuldades podem ser comuns, mas sofrimento não deve ser naturalizado. Ela precisa receber apoio e orientação para identificar o que está acontecendo e encontrar uma forma confortável e eficaz de amamentar”, finaliza.

Fonte: DIRETO DA REDACAO