Agora Piauí

Empresários brasileiros priorizam política interna em 2026

Pesquisa revela foco em política interna e economia em 2026

Por Redação

Uma pesquisa realizada pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham) revela que empresários no Brasil estão mais preocupados com o cenário político interno e com o risco de desaceleração econômica do que com questões geopolíticas globais.

Entre os 732 líderes empresariais entrevistados, 73% demonstraram preocupação com o ano eleitoral, 51% com a possível desaceleração da economia brasileira, 47% com a taxa de juros, 39% com a segurança jurídica, 38% relataram a falta de mão de obra e 31% mencionaram o ambiente internacional. Os participantes podiam escolher mais de uma preocupação.

Os resultados da pesquisa serão divulgados na sexta-feira, 29 de janeiro, em um evento da Amcham, sendo que a EXAME teve acesso antecipado aos dados. A sondagem abrangeu empresas de médio e grande porte, que, juntas, empregam 389 mil pessoas. As respostas foram coletadas entre 17 de dezembro de 2025 e 13 de janeiro de 2026.

Apesar das incertezas eleitorais, 86% dos empresários esperam um aumento nas receitas em 2026, com 26% deles prevendo uma alta superior a 26%. Contudo, 39% dos entrevistados têm uma visão neutra sobre as eleições, 31% estão pessimistas, 9% muito pessimistas, 16% otimistas e 2% muito otimistas.

Manter os investimentos

Apesar das preocupações, 35% dos entrevistados acreditam que a economia brasileira melhorará a partir de 2027, enquanto 26% acham que permanecerá estável e 25% preveem uma piora. Além disso, 45% planejam manter os investimentos no Brasil em 2026, 43% pretendem aumentar o valor investido, e apenas 6% consideram reduzi-lo.

Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, destaca que o empresariado está comprometido com o crescimento e os investimentos no país. O desempenho de 2026 dependerá da capacidade de execução das empresas, produtividade, uso de tecnologia, previsibilidade, equilíbrio fiscal e integração internacional.

Prioridades externas

A pesquisa também indagou sobre as prioridades na política externa do Brasil. Dos entrevistados, muitos com negócios vinculados aos Estados Unidos, 53% acreditam que a relação com os EUA deve ser prioritária. Outras respostas incluem a atração de investimentos estrangeiros (46%), novos acordos de comércio (44%) e acesso a mercados com redução de barreiras (35%).

Em uma avaliação sobre a relação atual entre Brasil e EUA, 38% dos empresários consideraram neutra, 32% desafiadora, 14% favorável e 11% muito desafiadora. Além disso, 70% dos entrevistados apontaram as tarifas como o principal desafio para expandir negócios com os EUA, enquanto 33% mencionaram a taxa de câmbio.

Segundo Abrão Neto, há uma agenda bem definida pelo setor empresarial, e o desafio será transformar essas prioridades em avanços concretos em um ano eleitoral no Brasil, além de lidar com outras prioridades do governo americano.