Agora Piauí

Recusa à doação de órgãos atinge 63% no Piauí

Comunicar desejo à família é essencial, dizem especialistas

Por Redação
Foto: Reprodução Sargento Cláudio Plácido Rodrigues
Sargento Cláudio Plácido Rodrigues

Dados recentes da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) revelam que a taxa de recusa familiar para doação de órgãos alcançou 63% em 2026. No Hospital de Urgência de Teresina (HUT), esse índice foi de 61,7% entre janeiro e setembro.

Lenier Braga, enfermeira atuante na área, aponta que o momento mais crítico ocorre quando se comunica aos familiares sobre a morte encefálica e a possibilidade da doação. "Esse conflito é natural", comenta. A resistência pode ser alimentada por experiências traumáticas ou informações incorretas disseminadas nas redes sociais.

Eduardo Miota, psicólogo especialista, ressalta que o esclarecimento sobre o processo e a importância do transplante é fundamental. "A doação não é mutilar alguém, mas sim oferecer vida a outras famílias", afirma.

Casos notáveis no estado

No início de outubro, a família do sargento Cláudio Plácido Rodrigues, da Polícia Militar do Piauí, autorizou a doação dos seus órgãos após sua morte. Coração, fígado e rins beneficiarão pacientes no Piauí, Ceará e Paraná. Inicialmente esperava-se que seis pessoas fossem ajudadas, mas apenas cinco poderão ser beneficiadas devido a um dano em uma das córneas.

Outro caso envolve o colombiano Miguel Angel Ozuna, de 18 anos, cujo acidente na BR-343 resultou em morte encefálica confirmada no final de agosto. Seus pais autorizaram a doação com auxílio internacional para retirar fígado, rins e córneas.

Rafael Davi Mendes Costa também teve seus órgãos doados após falecer por aneurisma cerebral em setembro. A decisão foi tomada pela família antes da confirmação da morte cerebral. Segundo relatos familiares, Davi era cristão ativo e seu desejo em vida influenciou na escolha pela doação.