Tesouro direto vê alta nas taxas por temor inflacionário
Apreensão com inflação eleva taxas de títulos públicos
Nesta segunda-feira (8), as taxas do Tesouro Direto registraram um aumento significativo, com destaque para os títulos de inflação de longo prazo. Esse movimento reflete a preocupação contínua com a inflação, desencadeada pelo relatório de emprego dos Estados Unidos divulgado na última sexta-feira.
Os dados do Boletim Focus, que aumentaram a previsão da Selic para 13,5% ao ano em 2026 e ajustaram a projeção do IPCA de 5,09% para 5,11%, intensificam essa percepção. As taxas alcançaram novos picos anuais após os máximos já registrados na semana anterior.
Entre os títulos, o Tesouro IPCA+ 2050 foi o mais impactado, subindo de 7,19% para 7,32%. Outros títulos como o IPCA+ 2060 e o IPCA+ 2040 também registraram altas significativas. No entanto, os prefixados apresentaram variações menores.
A diferença no comportamento dos títulos sugere que o mercado está mais preocupado com a inflação no longo prazo. Fatores como o crescimento do payroll nos EUA e a volatilidade no mercado de petróleo devido à instabilidade no Oriente Médio contribuem para essa expectativa.
Otávio Araújo, consultor da ZERO Markets Brasil, comenta que a expectativa em torno do IPCA no Brasil tem sido um fator local importante. Isso reforça a visão de que os juros domésticos permanecerão elevados por enquanto.
Apesar das tensões recentes entre Israel e Irã terem influenciado negativamente o mercado e impulsionado os preços do petróleo, um anúncio iraniano sobre a suspensão dos ataques trouxe algum alívio ao dólar. Isso pode impactar positivamente na próxima atualização das taxas do Tesouro Direto.
Veja as principais taxas desta manhã:
| Título | Rendimento Anual | Vencimento |
|---|---|---|
| Tesouro Reserva 2036 | SELIC | 01/01/2036 |
| Tesouro Selic 2031 | SELIC + 0,0743% | 01/03/2031 |
| Tesouro Prefixado 2029 | 14,72% | 01/01/2029 |
| Tesouro Prefixado 2032 | 14,70% | 01/01/2032 |