Entenda a relação na atuação entre enfermeiro e cuidador no auxílio à pessoa idosa acamada
No imaginário popular, o profissional de enfermagem e o cuidador de idosos são entendidos como profissionais com funções correspondentes, e não como complementares. Essa percepção pode ocasionar um erro perigoso, principalmente no caso de idosos acamados que necessitam de procedimentos técnicos realizados por um profissional. O Brasil apresenta um crescimento acelerado no envelhecimento populacional, alcançando a expectativa de vida de 76,6 anos, o que chama a atenção para as profissões dedicadas à assistência à terceira idade.
De acordo com o Ministério da Saúde, apenas no sistema público, cerca de três milhões de idosos acamados são atendidos regularmente. O Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), conduzido pela Fiocruz Minas em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), aponta que, dentre o público da terceira idade que apresenta dificuldade em realizar atividades cotidianas, apenas 37,9% recebem ajuda.
Nesse contexto, é necessário entender as respostas para as perguntas: “quem pode realizar?” e “como deve ser realizado?” o cuidado à pessoa idosa acamada. “O enfermeiro possui um papel clínico e técnico, sendo capaz de identificar possíveis alterações no estado de saúde e tomar decisões diante das necessidades apresentadas. O cuidador de idosos atua no auxílio diário, ajudando na rotina, no conforto e no bem-estar”, esclarece o professor de enfermagem do Unifacid Wyden, Kauan Carvalho.
Na diferenciação mais precisa entre as especialidades, o enfermeiro é responsável pela prevenção e pelo tratamento de feridas, avaliação de sinais vitais, auxílio no tratamento de lesões e realização de procedimentos, como a passagem de sondas para alimentação (nasogástrica) e eliminação (vesical). Já o cuidador de idosos presta assistência nas necessidades básicas do paciente, como higiene, alimentação, troca de roupas, mudança de posição, acompanhamento e auxílio nas eliminações fisiológicas (urina e fezes).
Apesar de possuírem atribuições semelhantes em alguns aspectos, o cuidador de idosos não pode realizar funções destinadas ao enfermeiro. Essa limitação existe porque a enfermagem é regulamentada por lei, exigindo formação superior ou técnica e registro no conselho regional.
O professor de enfermagem Kauan complementa ao destacar que “o tratamento do paciente acamado, principalmente quando idoso, envolve situações que necessitam de conhecimento especializado, principalmente quando se refere ao tratamento de lesões por pressão e de outras feridas decorrentes da condição do paciente acamado, da realização de curativos específicos, da identificação de alterações no quadro de saúde e da administração de medicamentos injetáveis”, conclui
Fonte: Direto da Redacão