Planta carnívora rara reaparece no Piauí após 80 anos
Descoberta da Utricularia warmingii destaca sua vulnerabilidade
Uma rara planta carnívora aquática, a Utricularia warmingii, foi redescoberta em uma área alagada de Campo Maior, no Norte do Piauí. Este achado significativo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA).
A última vez que a espécie foi registrada no Brasil ocorreu há mais de 80 anos, o que torna seu reaparecimento um ponto crucial para reavaliar seu risco de extinção no país. Tal descoberta foi detalhada em um estudo publicado no renomado Kew Bulletin.
A pesquisa revelou que a Utricularia warmingii foi encontrada durante um inventário de plantas aquáticas realizado em 2023, marcando a primeira ocorrência no Nordeste brasileiro. Essa planta vive submersa em águas rasas, atinge até 6 centímetros e captura pequenos organismos por meio de estruturas microscópicas chamadas utrículos.
Até agora, os registros da espécie eram raros e isolados, com ocorrências na Bolívia, Colômbia e Venezuela, além de episódios no Pantanal e Sudeste do Brasil. Em São Paulo, o último registro foi em 1939. A ausência de novas coletas desde sua descrição inicial, em 1877, em Caldas (MG), sugere um possível desaparecimento em Minas Gerais também.
O professor Francisco Ernandes Leite Sousa, da UFPI, líder da pesquisa, destacou que a descoberta no Piauí não só amplia o conhecimento sobre a distribuição da espécie, mas também ressalta sua vulnerabilidade. A população encontrada está restrita a um único local, e buscas adicionais não identificaram outras ocorrências.
O estudo alerta ainda que os habitats naturais da Utricularia warmingii, como lagoas rasas e áreas temporariamente alagadas, estão entre os ecossistemas mais ameaçados globalmente. A expansão agropecuária, fertilizantes, espécies invasoras e mudanças no regime das cheias podem comprometer a qualidade da água, colocando a planta em risco.
No Brasil, os registros mostram populações isoladas e separadas por grandes distâncias, com a área ocupada pela espécie no país limitada a apenas 36 km². Segundo os pesquisadores, essa distribuição reduzida dificulta a recolonização natural.
O pesquisador Paulo Minatel Gonella, do INMA, enfatiza que o caso destaca como o conhecimento sobre a flora em várias regiões do Brasil ainda é limitado. Regiões como o interior do Nordeste permanecem subexploradas, e novos estudos podem revelar espécies raras ou populações desconhecidas.
Fonte: Divulgação