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Desfile da Acadêmicos de Niterói gera crise no governo Lula

Polêmica no Carnaval impacta imagem do governo Lula.

Por Redação
Foto: Reprodução/Instagram/@bradockshow Boneco em alusão a Lula caiu e foi arrastado depois do desfile da Acadêmicos de Niterói
Boneco em alusão a Lula caiu e foi arrastado depois do desfile da Acadêmicos de Niterói

O ambiente no Palácio do Planalto está marcado pela apreensão após o Carnaval do Rio de Janeiro, que resultou no rebaixamento da Acadêmicos de Niterói. A escola, que fez sua estreia na elite com um enredo dedicado ao presidente Lula, amargou a última colocação. Segundo a revista Veja, assessores presidenciais acreditam que o desfile produziu um “vento contrário” ao governo ao empregar recursos públicos em um ambiente de nudez e bebida, ironizando valores conservadores. Para aliados do presidente, a provocação à família mobilizou até mesmo eleitores que estavam alheios à disputa política.

A ala chamada “neoconservadores em conserva” foi o principal foco de discórdia. O figurino provocou a ira de líderes religiosos e deu à oposição um instrumento de mobilização nas redes sociais. Conforme relatado pela Veja, um auxiliar de Lula destacou que o governo "comprou briga com quem estava quieto", atraindo novos críticos ao debate sobre a gestão federal.

A repercussão negativa uniu diferentes vertentes da direita e do segmento evangélico. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comentou que o desfile expôs a fé cristã ao escárnio, enquanto a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) considerou inadmissível o uso de verba pública para ridicularizar a igreja e o agronegócio. Até mesmo o coordenador do núcleo de evangélicos do PT, pastor Oliver Costa Goiano, avaliou a fantasia como um excesso.

O deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) ressaltou que o episódio complica os esforços de Lula em se aproximar dos cristãos. Para ele, a alegação de que o entorno do presidente desconhecia as fantasias que atacaram a família e os conservadores não convence o eleitorado. O presidente da Frente Parlamentar Evangélica, Gilberto Nascimento (PSD-SP), reforçou as críticas, afirmando que o desfile tratou os conservadores como inimigos do país.

Além do debate ideológico, a Acadêmicos de Niterói enfrentou problemas operacionais significativos. Alegorias ficaram presas na dispersão, causando correria no final da apresentação e prejudicando a escola seguinte, a Imperatriz. Durante a apuração, a agremiação recebeu apenas duas notas dez.

O enredo, que narrava a trajetória de Lula desde o Nordeste até sua última posse no Planalto, incluía representações do ministro Alexandre de Moraes e de ex-presidentes, além de críticas à gestão de Jair Bolsonaro na pandemia. Contudo, as falhas técnicas e a rejeição política determinaram o destino da escola. No Planalto, a questão agora é quanto tempo durará o impacto na imagem do presidente após o que assessores chamam de “leite derramado” na Sapucaí.

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