Agora Piauí

Fumaça, brasas e fogos de artifício: oftalmologista alerta para riscos de lesões

Por Direto da Redação
Foto: Reprodução Prevenção ainda é o melhor caminho
Prevenção ainda é o melhor caminho

As festas juninas são marcadas por tradição, música e celebração, mas também exigem atenção quando o assunto é segurança. Além das queimaduras na pele, comuns nesse período, especialistas alertam para um perigo que muitas vezes passa despercebido: os acidentes que podem comprometer a saúde dos olhos e provocar desde irritações temporárias até lesões graves e perda permanente da visão.

Segundo o oftalmologista Breno Leão, do Instituto de Educação Médica (IDOMED), a combinação entre fogueiras, fumaça, brasas e fogos de artifício aumenta significativamente o risco de acidentes oculares, inclusive entre pessoas que apenas acompanham as comemorações.

"A fumaça pode provocar uma conjuntivite química pela ação dos gases tóxicos liberados durante a queima da madeira. Além disso, pequenas fagulhas e brasas podem atingir diretamente os olhos, causando queimaduras e outras lesões", explica o especialista.

Os fogos de artifício representam outro fator de preocupação. Além da fumaça produzida pelas explosões, fragmentos dos artefatos podem atingir tanto quem os manipula quanto pessoas que apenas acompanham a celebração. O risco é ainda maior em práticas como as guerras de espada, tradicionais em cidades baianas como Cruz das Almas e Senhor do Bonfim, onde artefatos incandescentes podem causar queimaduras e ferimentos graves na região dos olhos e da face. 

Lesões podem ir muito além de uma simples irritação

Embora muitos associem os acidentes apenas à vermelhidão ou ardência nos olhos, Breno Leão destaca que as consequências podem ser bem mais graves.

"A exposição à fumaça pode causar queimaduras químicas que evoluem para conjuntivite ou ceratite quando atingem a córnea. Já o contato direto com brasas ou materiais incandescentes pode provocar queimaduras nas pálpebras e na pele do rosto, além de lesões de segundo e terceiro graus. Em situações mais severas, há risco de contusões e lacerações no tecido ocular provocadas por explosões ou fragmentos de fogos de artifício", alerta.

Primeiros socorros podem reduzir sequelas
 
Em caso de acidente, agir rapidamente faz toda a diferença. A recomendação é irrigar imediatamente a região afetada com grande quantidade de soro fisiológico ou água limpa filtrada para resfriar o local e remover possíveis agentes irritantes.

Após essa primeira medida, é indicado realizar compressas frias e procurar atendimento oftalmológico com urgência para avaliação da extensão da lesão e definição do tratamento adequado.

"O especialista é quem poderá identificar a gravidade do quadro e indicar a melhor conduta para preservar a visão e evitar complicações futuras", reforça Breno Leão.

O médico também faz um alerta importante sobre práticas populares que podem agravar o problema. Produtos como manteiga, azeite, margarina, pomadas ou outros cremes nunca devem ser aplicados sobre queimaduras na região dos olhos, pois podem favorecer infecções e dificultar o tratamento.

Prevenção ainda é o melhor caminho

Para reduzir os riscos durante as comemorações, o oftalmologista recomenda manter distância segura das fogueiras e dos fogos de artifício, evitar que crianças manipulem explosivos e, quando houver necessidade de manuseio desses materiais, utilizar equipamentos de proteção, como óculos adequados.

"A maioria desses acidentes pode ser evitada com medidas simples de prevenção. Aproveitar as festas com responsabilidade é a melhor forma de preservar não apenas a diversão, mas também a saúde ocular", conclui.

Fonte: Direto da Redação