Nova pílula promete reduzir risco de segundo AVC
Medicamento Asundexian reduz em 26% novos casos de AVC isquêmico.
Uma inovadora pílula de uso diário demonstrou sua eficácia ao reduzir em 26% os novos casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico em indivíduos que já passaram por um episódio anterior. Este medicamento, chamado Asundexian, foi uma das principais atrações da International Stroke Conference (ISC), encerrada recentemente em Nova Orleans, nos Estados Unidos. O evento é promovido pela Associação Americana do Coração.
O Asundexian, desenvolvido pela Bayer, aguarda agora a análise de agências reguladoras para avaliar seu uso em larga escala. A empresa também planeja solicitar o registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para liberar o uso no Brasil, embora ainda não haja previsão para essa solicitação.
Para aqueles que já sofreram um AVC, o risco de um segundo episódio é considerável. Dados médicos mostram que um em cada quatro pacientes pode enfrentar um novo acidente vascular, o que causa grande preocupação entre os neurologistas. Segundo Christoph Koenen, líder de desenvolvimento global da Bayer, o surgimento do Asundexian vem após décadas sem novas opções terapêuticas nesta área.
Atualmente, as opções de tratamento incluem a Aspirina, introduzida há mais de 50 anos, e a terapia P2Y12, disponível há 20 anos. A introdução do Asundexian não só reduz significativamente o risco de um segundo AVC, mas também promete não aumentar a chance de sangramentos, um efeito colateral comum em tratamentos anticoagulantes.
Se aprovado, o Asundexian deverá ser administrado junto a medicamentos antiplaquetários, como a Aspirina. Ele atua no controle da coagulação sanguínea, crucial para aqueles propensos a AVC. Indicado também para quem já teve um "mini-avc", a droga pode ajudar a reduzir o risco de um AVC completo.
A pesquisa sobre o novo medicamento envolveu 12,3 mil participantes de 37 países. No Brasil, 13 centros contribuíram com voluntários para comparar o Asundexian a um placebo. Segundo Sheila Martins, chefe da neurologia do Hospital Moinhos de Vento, é essencial iniciar o tratamento nas primeiras 72 horas após um AVC para maximizar a proteção do paciente.
O AVC é uma das principais causas de morte no Brasil, com estimativas apontando para um óbito a cada seis minutos. Fatores como hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo, sedentarismo e colesterol alto elevam o risco. Assim, manter um estilo de vida saudável e controlar doenças crônicas são estratégias eficazes na prevenção.
Sheila Martins reforça a importância de controlar rigorosamente a pressão arterial e o colesterol para reduzir o risco de novos acidentes vasculares. O uso de estatinas é recomendado para alcançar esse objetivo.