“Sangue doce” existe? Descubra algumas pessoas realmente atraem mais mosquitos
Você conhece alguém que parece receber muito mais picadas de mosquitos do que aqueles ao
seu redor? Muitas pessoas relatam atrair mais pernilongos e mosquitos do que outras. Na
linguagem popular, essa situação é chamada de “sangue doce”. Mas será que essa máxima
popular tem respaldo científico? Algumas pessoas realmente são mais propensas a sofrer
picadas?
A professora do IDOMED e especialista em Hematologia Clínica, Rayssa Castro, afirma que
“sangue doce” é apenas uma expressão popular e não encontra fundamento na ciência. “O
mosquito não escolhe a vítima pelo sabor do sangue, até porque não tem como avaliar isso
antes da picada. Também não há evidências consistentes de que níveis elevados de glicose no
sangue tornem alguém mais atrativo para esses insetos. Portanto, a ideia de ‘sangue mais
doce’ é considerada um mito”, explica a especialista.
Rayssa pontua, no entanto, que alguns fatores podem tornar uma pessoa mais propensa a ser
alvo de picadas. Temperatura corporal, liberação de suor, prática recente de exercícios físicos
e até o uso de roupas escuras, que retêm mais calor, estão entre os fatores que, no dia a dia,
podem funcionar como atrativo para os mosquitos e pernilongos.
A professora do IDOMED explica que fatores biológicos e comportamentais também
exercem grande influência. “Um dos principais é a quantidade de dióxido de carbono que a
pessoa exala, e isso vem naturalmente da nossa atividade celular. Adultos, gestantes e
indivíduos com maior massa corporal, produzem mais dióxido de carbono e, assim, tendem a
atrair mais mosquitos”, detalha Rayssa.
Outro aspecto relevante é o odor corporal, que está diretamente ligado à microbiota da pele,
ou seja, aos microrganismos que vivem naturalmente em nossa superfície cutânea. Essas
bactérias produzem substâncias voláteis que funcionam como verdadeiros ‘atrativos
químicos’ para os mosquitos. Por características individuais da pele, algumas pessoas acabam
sendo naturalmente mais chamativas para esses insetos. Há ainda estudos que sugerem que
indivíduos com sangue do tipo O podem ser ligeiramente mais atrativos para determinadas
espécies de mosquitos, embora esse fator tenha um impacto menor quando comparado aos
demais.
O que fazer para evitar as picadas?
Do ponto de vista médico e farmacêutico, a especialista reforça que a medida mais eficaz
continua sendo o uso correto de repelentes, especialmente em áreas com maior presença de
insetos. Produtos que contenham substâncias como icaridina, DEET ou IR3535 apresentam
forte evidência científica de proteção, desde que aplicados corretamente e reaplicados
conforme o tempo indicado pelo fabricante.
“Além disso, medidas ambientais são fundamentais, como eliminar focos de água parada,
utilizar telas e mosquiteiros e, sempre que possível, recorrer a ventiladores, que dificultam o
voo do mosquito. Também orientamos cuidados comportamentais simples, como optar por
roupas claras, evitar exposição nos horários de maior atividade dos insetos e higienizar a pele
após suor intenso”, conclui a docente.
Fonte: Direto da Redação