Advogada destaca risco à saúde de preso e critica decisão do STF
STF desconsidera laudo médico e nega prisão domiciliar a réu
Em entrevista ao Jornal da Oeste, Primeira Edição, a advogada Valquíria Durães chamou atenção para o risco de morte enfrentado por Clayton Nunes, réu do caso 8 de janeiro, no sistema prisional. Ela destacou que laudos médicos foram ignorados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que recusou o pedido de prisão domiciliar com base em uma avaliação médica considerada insuficiente. Clayton foi condenado a 16 anos de prisão em fevereiro do ano passado.
Laudo médico alerta para risco à vida
Valquíria Durães relatou que Clayton sofre de psoríase, uma doença imunológica séria diagnosticada na infância e tratada por uma médica do Hospital Universitário de Brasília. "A médica dele laudou que ele corre risco de vir a óbito", afirmou Durães, destacando a gravidade da situação.
O laudo médico foi enviado ao STF, que solicitou uma nova avaliação pelo Instituto Médico Legal (IML). Durães criticou o procedimento, alegando que o médico do IML passou apenas cinco minutos com o preso, sem tocar nele ou consultar seu prontuário, e desconsiderou o laudo da médica responsável pelo tratamento de Clayton.
Mesmo assim, o parecer do IML foi aceito pela Corte. "O ministro Alexandre de Moraes, juntamente com o PGR e [Paulo] Gonet, decidiram acatar o laudo do IML e não concederam a prisão domiciliar para Clayton", comentou a advogada.
Condições precárias no presídio
A defensora denunciou ainda que Clayton divide uma cela com outros 18 detentos, incluindo portadores de doenças infectocontagiosas, e dorme no chão do banheiro. A medicação prescrita, que reduz significativamente a imunidade, está atrasada há cerca de um mês. "Ele precisa estar em um local limpo, pois a medicação faz com que sua imunidade vá a zero", alertou Valquíria.
Em resposta, o ministro Alexandre de Moraes concedeu um prazo de 48 horas para que o Presídio da Papuda envie ao STF o prontuário médico de Clayton Nunes atualizado.