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Endividamento atinge recorde histórico em março

Famílias brasileiras enfrentam dívida crescente; alta atinge 80,4%.

Por Redação
Foto: Divulgação / InfoMoney (Pixabay)
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O nível de endividamento das famílias brasileiras alcançou um novo marco em março, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A proporção de lares com dívidas subiu de 80,2% em fevereiro para 80,4% em março, estabelecendo um recorde histórico comparado aos 77,1% registrados no mesmo mês de 2025. Essas informações foram obtidas através da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

A CNC prevê que esse cenário de dívidas persistentes continuará até que os benefícios do recente ciclo de cortes na taxa Selic sejam sentidos pelo consumidor. O alto custo dos juros, combinado com o aumento nos preços do diesel e outros combustíveis, tem gerado uma incerteza inflacionária significativa. Esse impacto logístico nos preços das mercadorias reduz o poder de compra, levando muitas famílias a recorrerem ao crédito para cobrir despesas básicas.

O ciclo de endividamento está diretamente ligado a diversas modalidades de crédito, como cartões de crédito, cheques especiais, carnês de loja, créditos consignados, empréstimos pessoais, cheques pré-datados e prestações de veículos e imóveis. De acordo com o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, a elevada taxa Selic continua sendo um grande obstáculo tanto para consumidores quanto para empreendedores, apesar de a redução dos juros ter iniciado.

Um leve alívio foi observado na parcela de pessoas que se descrevem como "muito endividadas", que caiu de 16,1% em fevereiro para 16,0% em março. A média da renda comprometida com dívidas também apresentou uma ligeira queda, de 29,7% em fevereiro para 29,6% em março. A taxa de inadimplência permaneceu estável em 29,6% durante março, o mesmo percentual do mês anterior.

Ainda assim, houve uma pequena melhoria na proporção de famílias que afirmam não ter condições de quitar suas dívidas em atraso, que diminuiu de 12,6% em fevereiro para 12,3% em março. Em comparação, essa marca era de 12,2% em março de 2025.

Impacto maior entre famílias de alta renda

O aumento do endividamento foi mais acentuado nas faixas de renda mais altas. Entre famílias com renda superior a 10 salários mínimos mensais, a proporção de endividados subiu de 69,3% para 69,9%. Para aquelas com renda entre cinco e dez salários mínimos, a taxa aumentou de 78,7% para 79,2%. Em contraste, as faixas de renda mais baixas, como as que ganham até três salários mínimos, mantiveram a proporção de 82,9%.

Já no quesito inadimplência, houve uma redução na proporção de famílias com dívidas em atraso entre aquelas que recebem até três salários mínimos, caindo de 38,9% em fevereiro para 38,2% em março. Na classe média baixa, essa proporção diminuiu de 29,1% para 28,7%. Contudo, entre os que recebem de cinco a dez salários mínimos, houve um aumento de 21,7% para 22,1%.

O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, alertou que as expectativas de inflação para os próximos meses podem pressionar ainda mais o orçamento das famílias de renda mais baixa, se tais previsões se confirmarem.