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Mães exaustas: como a falta de sono afeta imunidade e pode desencadear problemas

Por Direto da Redação
Foto: Reprodução Alguns sintomas indicam que a falta de sono
Alguns sintomas indicam que a falta de sono

Privação de sono na maternidade vai além do cansaço e pode impactar diretamente a saúde física e o sistema imunológico .

Dormir mal faz parte da rotina de muitas mães, especialmente nos primeiros anos de vida dos filhos. O que muita gente ainda subestima é que a privação de sono não se resume ao cansaço do dia seguinte: ela pode comprometer o funcionamento do organismo, afetar a imunidade e até agravar problemas respiratórios.


De acordo com a médica otorrinolaringologista Alexandra Kolontai, professora da Afya Uninovafapi, o impacto é sistêmico. "A privação de sono afeta diretamente o funcionamento do corpo como um todo. O organismo entra em um estado de alerta crônico, com aumento do estresse e alterações hormonais e inflamatórias", explica.

Na prática, isso se reflete também nas vias respiratórias. Segundo a especialista, o quadro pode provocar inchaço nas mucosas do nariz e da garganta, prejudicando a respiração. "Pacientes com rinite, por exemplo, tendem a apresentar mais congestão nasal, espirros e sensibilidade a poeira e cheiros", destaca.

Além disso, noites mal dormidas interferem na qualidade do sono profundo, essencial para a recuperação do corpo. "Essa fragmentação do sono pode agravar quadros como sinusite, dificultando a drenagem dos seios da face", afirma.

Outro ponto de atenção é o aumento de queixas relacionadas à apneia do sono. "A privação prolongada pode intensificar o ronco e episódios de obstrução das vias aéreas. Muitas mulheres passam a perceber sensação de sufocamento durante a noite após períodos de sono ruim", completa.

Imunidade em queda

O impacto da falta de sono também é sentido diretamente no sistema imunológico. Durante o sono, o corpo produz substâncias fundamentais para combater vírus e bactérias, processo que fica comprometido quando o descanso é insuficiente.

"Dormir mal reduz as células de defesa e aumenta substâncias inflamatórias, deixando o organismo mais vulnerável", explica Alexandra.

Na rotina clínica, isso aparece de forma recorrente. "É comum que mães com privação de sono relatem gripes frequentes, garganta irritada, crises de rinite e até amidalites. Além disso, elas tendem a demorar mais para se recuperar de infecções simples", pontua.

Quando a privação de sono se torna constante, os efeitos podem ser ainda mais amplos. O corpo passa a operar em estado de sobrecarga, abrindo espaço para uma série de problemas de saúde. Entre os principais impactos estão alterações de humor, ansiedade, irritabilidade e dificuldades cognitivas, como falhas de memória e concentração. Também há maior risco de ganho de peso e aumento da pressão arterial.

Alguns sintomas indicam que a falta de sono já está afetando a saúde de forma mais significativa, como acordar cansada todos os dias, apresentar sonolência excessiva durante o dia, ter dores de cabeça ao despertar, alterações de humor e esquecimentos frequentes, além de ronco alto ou sensação de falta de ar durante a noite. "Quando esses sinais se tornam frequentes, é fundamental buscar avaliação médica. Dormir mal por muito tempo pode comprometer seriamente a qualidade de vida", alerta Alexandra.

Fonte: Direto da Redação