BCE mantém juros estáveis; expectativa de alta em junho
Banco Central Europeu alerta para inflação crescente.
O Banco Central Europeu (BCE) decidiu, conforme esperado, manter as taxas de juros inalteradas nesta quinta-feira. Essa decisão vem em meio a crescentes preocupações sobre a inflação, o que reforça a expectativa de futuros aumentos de juros, possivelmente começando em junho.
A inflação anual na zona do euro deu um salto significativo, chegando a 3% este mês, ultrapassando a meta de 2% estipulada pelo BCE. Esse aumento é impulsionado, em parte, pela guerra no Irã, que elevou os preços do petróleo ao nível mais alto em quatro anos. Tal cenário torna provável uma espiral inflacionária, dificultando o controle dos preços.
Em comunicado, o BCE destacou: “Os riscos de alta para a inflação e de baixa para o crescimento se intensificaram. Quanto mais a guerra perdurar e os preços da energia se mantiverem elevados, mais forte será o impacto sobre a inflação e a economia em geral.”
Os mercados financeiros já esperam que o BCE suba os juros em junho e julho, seguidos de um novo ajuste no outono. Isso se baseia na premissa de que o banco busca rapidamente mitigar qualquer espiral inflacionária, especialmente após críticas por uma reação tardia em 2022.
Ainda que as expectativas de inflação no longo prazo estejam ancoradas, para prazos mais curtos elas subiram consideravelmente. O BCE não se comprometeu com uma trajetória específica dos juros, mas é provável que qualquer ciclo de aumento seja menos agressivo que em 2022, quando as taxas subiram 450 pontos-base em um ano.
Atualmente, as pressões inflacionárias são menores, os efeitos secundários da inflação não são visíveis, o mercado de trabalho está enfraquecido, e o crescimento econômico está quase estagnado. No primeiro trimestre, a economia da zona do euro pouco cresceu, mesmo antes do impacto da guerra.
Além disso, o núcleo da inflação, que é crucial para avaliar a durabilidade dos aumentos de preços, desacelerou de 2,3% para 2,2% em abril. Esse cenário sugere que o BCE deve agir com cautela em suas decisões futuras.