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Desemprego no Brasil atinge 6,1% em março de 2026

Taxa de desocupação sobe, mas renda alcança novo recorde.

Por Direto da Redação
Foto: Divulgação (Marcos Santos/Agência USP)
(Marcos Santos/Agência USP)

A taxa de desocupação alcançou 6,1% no Brasil no trimestre encerrado em março de 2026, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relatou na quinta-feira, 20, através da Pnad Contínua.

Este aumento representa um acréscimo de 1,0 ponto percentual em comparação ao trimestre anterior, embora ainda esteja 0,9 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. Este é o maior índice de desemprego desde o trimestre concluído em maio de 2025.

Apesar do aumento em termos trimestrais, essa marca é a menor registrada para trimestres concluídos em março desde o início da série histórica, que começou em 2012. A população desocupada chegou a 6,6 milhões, um aumento de 19,6% no trimestre, ou seja, mais 1,1 milhão de brasileiros buscando emprego. Já em comparação anual, houve uma redução de 13,0%, com 987 mil pessoas a menos neste grupo.

O número total de pessoas ocupadas foi de 102,0 milhões, registrando uma queda de 1,0% em relação ao trimestre anterior, o que significa 1,0 milhão de trabalhadores a menos. Comparando com o mesmo período de 2025, houve um aumento de 1,5%, resultando em 1,5 milhão de pessoas a mais com emprego.

Por que o desemprego subiu em março?

A análise setorial revelou que nenhum dos dez grupamentos analisados apresentou expansão no emprego em comparação trimestral. Três setores foram os principais responsáveis pelas perdas: o comércio, que teve uma redução de 1,5% (menos 287 mil pessoas); a administração pública, com uma queda de 2,3% (menos 439 mil); e os serviços domésticos, que registraram um recuo de 2,6% (menos 148 mil).

Esses setores juntos reduziram mais de 870 mil postos de trabalho no trimestre. Segundo o IBGE, essa queda é explicada por fatores sazonais, como o término de contratos temporários e a desaceleração usual do comércio após o fim de ano.

Na comparação anual, dois grupamentos mostraram crescimento: informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com um aumento de 3,2%, e a administração pública, que subiu 4,8%. Apenas os serviços domésticos tiveram uma queda nesse período.

Informalidade recua e renda bate recorde

A taxa de informalidade caiu para 37,3% da força de trabalho, o que corresponde a 38,1 milhões de trabalhadores. O índice recuou tanto na comparação trimestral quanto anual, indicando uma leve melhoria na composição do mercado de trabalho.

O número de empregados com carteira assinada no setor privado manteve-se estável em 39,2 milhões no trimestre, com um aumento de 1,3% no ano. Já os trabalhadores sem carteira totalizaram 13,3 milhões, com uma redução de 2,1% na comparação trimestral.

Trabalhadores por conta própria permaneceram na casa dos 26,0 milhões, estáveis no trimestre e com um crescimento de 2,4% no ano. A massa de rendimento real habitual atingiu um novo recorde, chegando a R$ 374,8 bilhões, estável no trimestre e 7,1% maior do que no mesmo período de 2025.

O rendimento médio real também atingiu uma máxima histórica, alcançando R$ 3.722, com crescimento de 1,6% no trimestre e de 5,5% no ano, já ajustado pela inflação. O aumento da renda reflete, segundo o IBGE, as mudanças na composição do mercado de trabalho, com uma redução relativa da informalidade e menor participação de empregos com baixos salários.

Fonte: Divulgação